sexta-feira, 4 de março de 2016

O voo de Mariana

Sempre disseram que Mariana tinha um temperamento forte, habilidade com as palavras e poder de argumentação e convencimento. Nada mais justo! Ao longo de sua infância e adolescência, Mariana desenvolveu essas habilidades de tal forma que, ao ingressar na Faculdade de Direito, sentiu-se em casa. A cada semestre, Mariana acumulou novos conhecimentos e experiências de tal modo que, concluída a graduação, era uma profissional altamente competente.

O único problema de Mariana era sua ilusão de invencibilidade. Acreditava ser imune a erros, supervalorizava seu nível de conhecimento e inflava seu ego a cada nova batalha judicial vencida. Suas relações familiares e de amizades foram bastante afetadas por seu comportamento presunçoso, mas, ainda assim, metade das pessoas que a conheciam a amavam. A outra metade preferiu distanciar-se dela o máximo que pôde.

Houve então uma ocasião em que a realidade deu uma dura lição para Mariana. Havia aproveitado um fim de semana de festas e baladas, mesmo havendo uma viagem marcada para o início da semana. Deixou para aprontar as malas poucas horas antes do horário estabelecido para o embarque. Além disso, acordou mais tarde do que deveria naquele dia do voo.

Entrou no táxi com sua bagagem quando já faltavam menos de quarenta minutos para a decolagem. Se o aeroporto estivesse a menos de dez minutos de sua casa, Mariana poderia chegar com trinta minutos da decolagem e haveria uma chance de conseguir embarcar. Mas o aeroporto de sua cidade ficava distante de sua casa e o trajeto não demoraria menos de 30 minutos, mesmo seguindo o taxista numa velocidade acelerada.

Resultado: Mariana chegou à mesa do guichê do aeroporto para despachar a bagagem dez minutos antes do horário estabelecido para a decolagem. A funcionária da empresa aérea que a atendeu informou que, infelizmente, o procedimento de embarque já havia sido encerrado e, portanto, Mariana não poderia despachar a bagagem, nem embarcar.

Mariana tentou usar todo seu poder de argumentação e convencimento, mas foi em vão. Pelas normas da empresa aérea, impressas no cartão de embarque de Mariana, o passageiro deveria fazer o checkin, despachar a bagagem e estar presente no portão de embarque a antecedência necessária.

Mariana tomou outro táxi e retornou para casa, chorando. Chegando em casa, teve que comprar outra passagem de ida, mas só havia voos disponíveis para o dia seguinte. E pelo triplo do preço de sua passagem original.

Nenhum comentário:

Postar um comentário