quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A compra do vestido

Estava no início de um ano comum. Tendo sido convidada por uma amiga querida para ir ao casamento da filha dela, que seria uma cerimônia diurna e ocorreria um pouco antes das festividades carnavalescas e num tipo de sítio, decidi sair em busca de um novo modelito para usar naquela ocasião relativamente especial. Já que seria uma festa durante o dia e, não fazendo parte do seleto grupo de madrinhas, esse modelito seria comprado para uso em ocasiões posteriores diversas, tais como festas de aniversários ou saídas para restaurantes.

Chegando a uma determinada loja que até então eu não conhecia, em resposta à abordagem da vendedora que prontamente se aproximou, informei que estava à procura de um vestido para um casamento durante o dia. Daí ela me conduziu até a sessão onde estavam os vestidos de gala, próprios para uma cerimônia noturna ou para uma madrinha de casamento. Passei uma vista rápida pelos cabides, como quem folheia um livro para se ter uma noção de seu conteúdo, e constatei que, além de não serem o tipo que eu procurava, eles estavam acima da faixa de preço que eu havia pré-determinado a mim mesma.

Voltei à vendedora e esclareci que, não sendo madrinha do referido casamento, que seria diurno, eu procurava um vestido um pouco mais simples do que os que estavam naquela sessão. Segui então pela extensa arara, onde as roupas à venda estavam agrupadas de acordo com cores, tipos e tamanhos para as mais diversas ocasiões. Cheguei então à sessão de roupas para uso um pouco mais convencional e vi uma peça que despertou meu interesse.

Era um vestido com estampa florida num fundo branco, estilo tubinho, de comprimento, cores e modelo compatíveis com o casamento diurno e as ocasiões posteriores em que ele voltaria a ser usado. Como eu realmente havia gostado dele, puxei o cabide onde estava pendurado, vi que estava dentro da minha faixa de preço e comentei, demonstrando interesse de prová-lo e, possivelmente, comprá-lo:

- Ah, esse está interessante!

Foi quando a vendedora, de braços cruzados, numa clara tentativa de fazer com que me sentisse constrangida com minha escolha para que eu voltasse à sessão dos vestidos e preços de gala, respondeu, sem tentar disfarçar o sarcasmo na voz:

- É, está interessante sim... Para o Carnaval!

Devolvi a peça na mesma hora, despedi-me e segui para a saída da loja. Aquela abordagem antipática foi o suficiente para me fazer desistir de comprar o tomara que caia que eu havia gostado. Feriu meu ego, perdeu a cliente em potencial.


Minutos depois, estava comprando outro vestido em outra loja, embora estivesse um pouco acima da faixa de preço inicialmente definida. Por quê? Meu teto pode ser alterado a qualquer momento de acordo com a minha própria vontade, e não por influência de uma vendedora abusada.

Um comentário:

  1. Geralmente, as vendedoras querem vender a todo custo. Chamam até de "meu amor", " minha flor" kkkkk. Pense!! Realmente, ela estava ocupando um cargo errado. Mereceria uma demissão.

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