terça-feira, 13 de outubro de 2015

Quer ir ao banco com a Mamãe?

- Quer ir ao banco com a Mamãe? - Andrea perguntou à filha Júlia, de apenas 3 anos de idade. Claro que foi uma pergunta retórica, já que para Julinha não haveria opção que não fosse acompanhar a mãe em sua ida ao banco, pois Andrea não teria com quem deixar a menina naquele momento.

A jovem Julinha, no auge dos seus 3 anos de idade, ouviu aquela pergunta que logo se multiplicou em várias outras perguntas em seu imaginário. "O que é um banco? Os bancos que eu conheço são móveis para as pessoas se sentarem. E por que Mamãe me perguntou se eu quero ir? Eu deveria querer ir também? O que será que acontece lá para  a mamãe ter que ir e, mais do que isso, o que será que tem pra mim lá?"

- É o lugar para onde as pessoas vão quando querem sacar dinheiro e pagar contas! - respondeu Andrea pacientemente, já acostumada com a infinidade de perguntas da Julinha.

Humm, estou começando a entender... Deve ser um lugar muito, muito grande, onde cabem muitas pessoas e também o montão de dinheiro que elas vão lá pra buscar! Imaginou um grande prédio em formato de "banco de sentar", com um portão enorme por onde as pessoas entravam e saíam carregadas de sacolas enormes, sinalizadas com o símbolo do cifrão que ela aprendera nos desenhos animados. Ficou curiosa e concluiu ser interessante a ideia de ir ao banco, pois assim poderia descobrir como é um. Durante todo o caminho, ficou imaginando várias versões possíveis para a aparência do "prédio em forma de banco de sentar", todas baseadas nos tipos de banco que ela já havia visto em casa, na escola ou nas praças por onde já havia passado.

Chegando ao banco, Julinha não se impressionou com o formato convencional do prédio. Nem com a fila das pessoas para atendimento, ou o barulho dos teclados, impressoras matriciais e burburinho de conversas e passos em salto alto. Por um instante, ficou decepcionada. "Na próxima vez que a Mamãe perguntar se eu quero ir ao banco com ela, vou responder que não, agora que eu já sei como é!" - Pensou Julinha.

Depois de enfrentar a enorme e entediante fila com a mãe, observou algo que a deixou bastante surpresa: A funcionária que atendeu a mãe. Como era bem vestida, bem penteada e maquiada! Que lindos brincos e anéis, e que unhas bem pintadas! Ficou encantada com a boa apresentação da moça e com o quanto ela parecia rápida e eficiente para digitar naquele teclado e atender a todos aqueles pedidos difíceis que sua mãe fez. Como ela sabe o que é um extrato? O que é um extrato? E como ela fez para sair tão rapidamente naquele pedaço de papel tudo o que a Mamãe pediu? - Julinha continuava divagando em seus pensamentos.

Terminado o atendimento, Andrea e Julinha deixaram o banco. Para Andrea, aquela ida ao banco havia sido apenas um evento rotineiro, ao qual estava bem acostumada.  Mas, para Julinha, foi uma ocasião tão significativa que ela voltaria a lembrar-se dela por toda a sua vida. Embora ainda muito pequena e não compreendendo ao certo o que havia acontecido, mesmo sem saber o que era uma decisão, Julinha tomou uma das primeiras decisões em sua vida: a de que, quando crescesse, iria trabalhar num banco e seria tão bem arrumada e eficiente quanto aquela moça que vira! Ah, e que sempre aceitaria futuros convites para acompanhar qualquer pessoa ao banco!

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