sábado, 26 de setembro de 2015

Na sala de aula

Todos estavam atentos à aula do Professor Prudêncio, o que não poderia ser diferente. Seu alto nível de conhecimento aliado à habilidade muito bem desenvolvida para expor e explanar os tópicos de qualquer disciplina dos cursos de Engenharia fazem dele um dos melhores professores da Universidade Federal de Santa Catarina.

Outra característica marcante do Professor Prudêncio é certamente o volume de sua voz que, de tão forte, consegue preencher cada pedacinho do espaço físico das salas de aula, inclusive as maiores. Há ainda outro fator favorável à manutenção do nível de atenção dos alunos, que é o nível de dificuldade de suas provas. Para ser aprovado, é preciso mais do que estudar e estar presente em aula: é preciso compreender todos os passos e lembrar qual a forma correta de aplicá-los mais tarde.

Naquela manhã, algo muito curioso aconteceria durante a aula de Estatística do Professor Prudêncio. Um dos alunos entrou na sala quando a aula já havia começado 30 minutos antes, mas sem dar mostras de que estava preocupado com esse fato. Sentou-se numa das cadeiras da primeira fila. O professor ministrava a aula e apenas observava. Instantes depois, aquele mesmo aluno levantou-se e colocou uma cadeira vazia em frente à que ele estava sentado. Apoiou sobre ela a sua perna direita e logo depois a esquerda. Desceu seu tronco, apoiando a área próxima aos ombros na parte mais alta do acento. O professor continuava as explanações enquanto acompanhava a movimentação do aluno. Não é preciso ter anos de experiência em sala de aula para deduzir qual era o objetivo daquele aluno. Mas o professor tinha um plano e só aguardava o momento ideal para pôr em prática.

Encontrada a posição em que se sentiu mais confortável, faltava apenas cruzar os braços, baixar a cabeça, esconder o rosto com o boné e fechar os olhos... O professor sabia que faltava muito pouco para chegar a hora de agir. Naqueles poucos minutos, muitas ideias vieram à sua mente e ele escolheu a mais interessante para aquela ocasião.

O professor calou-se por um segundo, como se estivesse fazendo uma pausa em sua explanação. Deu dois passos na direção da turma que o assistia. Olhou mais uma vez para o aluno apenas para certificar-se de que ele havia avançado um pouco além do estágio inicial do sono. Então virou-se para a turma e falou, usando o volume de voz mais baixo possível:

- Pessoal... a partir de agora vou falar um pouco mais baixo... porque não quero atrapalhar o sono do colega de vocês...

A gargalhada da turma foi instantânea. O aluno acordou atordoado e logo percebeu que era ele o motivo da gozação. Após a retomada da atenção de todos, inclusive do dorminhoco, o professor deu prosseguimento ao assunto usando seu volume de voz característico. E, dali em diante, toda a turma acompanhou a aula atentamente!

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