segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A viagem

- Eita, amor, quer dizer que você só vai sair daí de Recife à meia-noite? – Fabinho falava comigo de Maceió, onde me aguardava.

- É, Fabinho... eu não tenho outra escolha... – falava da Rodoviária de Recife, por volta das 19 horas e alguns minutos.

O Vôo de Natal para Recife atrasou, então não cheguei à Rodoviária a tempo de comprar a passagem e embarcar no ônibus que partiria para Maceió às 19 horas, como eu havia programado. Se fosse outro dia da semana, eu poderia pegar algum ônibus que saísse de Recife às 20 horas. Mas, naquele dia, o próximo ônibus só sairia da Rodoviária à meia-noite para chegar em Maceió às 4 e meia da manhã.

Não lembro o que eu fiz para passar o tempo naquela noite. Devo ter feito um lanche, olhado as vitrines das poucas lojas que estavam abertas e ficado sentada, esperando. Talvez eu tenha levado algum livro para ler. Talvez eu tenha assistido um pouco de TV. Enfim, passadas as quase 3 horas de espera, chegou o momento de embarcar e seguir para Maceió.

Terminado o embarque, o ônibus fez as manobras para sair da área das plataformas e partiu do TIP. Como eu estava sentada do lado de uma janela, inicialmente eu fiquei observando as casas e luzes ao longo do percurso. Mas depois de cerca de 30 minutos de paisagens não muito atrativas aos olhos, fechei a cortina de tecido com o velcro, reclinei a poltrona, enrolei a alça da bolsa em meu braço, colocando o outro braço por cima dela, e o sono começou a bater.

Mesmo com a cortina fechada, ainda era possível ver muitas luzes. Luzes de postes, casas, carros, motos, outros ônibus... E o balançar do ônibus parecia bastante incômodo. “Não vou conseguir dormir”, pensei.

De repente, sinto alguém cutucando o meu ombro. Era o funcionário da empresa de ônibus. “Já chegamos, senhora.” Ainda muito sonolenta, levantei a cabeça e vi que o ônibus estava muito bem estacionado na plataforma da Rodoviária de Maceió. As luzes do ônibus estavam apagadas e eu era a única passageira que ainda não havia desembarcado. E minha maior tranquilidade foi constatar minha bolsa com a alça ainda enrolada em meu braço, com o conteúdo intacto, e minha bagagem do lado de fora, ao lado do ônibus, apenas esperando que eu a recolhesse...

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