quarta-feira, 18 de junho de 2014

Tensão ao volante

Estava dirigindo à procura de um destino determinado. Era noite e eu não conhecia aquelas ruas, que estavam desertas. Seguia por uma rua, entrava em outra e não encontrava o meu destino. "Vire à direita", dizia a voz do GPS, e eu obedecia. Comecei a inquietar-me, não somente com a dificuldade e a demora para chegar onde eu queria, mas também pelo sentimento de insegurança por estar sozinha naquela situação.

"Estranho, nunca havia observado como essas ruas são ladeiradas, com tantas subidas e descidas", pensei enquanto continuava percorrendo o emaranhado de ruas e avenidas, que eu enxergava apenas pela luz dos faróis do carro e pela quase inexistente iluminação urbana naquela área. O GPS continuava com as instruções e eu continuava a obedecê-lo.

Por um momento, senti um certo alívio: "Por aqui eu já passei, conheço esse caminho. Logo em frente eu sei que há uma ponte", pensei e segui despreocupada. Foi aí que cheguei à ponte... mas...  para minha surpresa... não havia mais ponte...

Era tarde demais para frear ou retornar! Quando me dei conta, o carro caía e o fim dos meus dias estava certo. "Vou morrer agora", pensei fechando os olhos, já esperando pelo impacto que aconteceria em alguns segundos. Não gritei: apenas aguardei a chegada ao solo e, com ele, o fim de tudo.

O carro rapidamente chegou ao fim daquele abismo e aconteceu a colisão. Meus olhos ainda estavam fechados e eu não sentia nada. "Devo estar presa nas ferragens, ou talvez eu tenha ficado desacordada e já esteja internada num hospital". Fui abrindo os olhos lentamente e descobri onde eu estava.

A luz do sol já clareava todo o quarto e era possível ouvir o canto dos pássaros que brincavam no jardim. O despertador não havia tocado, pois havia sido configurado para não funcionar nos fins de semana. Era um lindo dia de domingo e eu não estava nas ferragens, nem num hospital, como acreditei, tão real havia sido aquele sonho.

Olhei para mim mesma, ainda custando a acreditar que nada havia acontecido. Finalmente, senti-me grata por estar em meu quarto e por ter sido apenas um sonho e porque, como num video game, eu estava ganhando uma nova vida, uma nova chance e um novo dia!

Um comentário: