quinta-feira, 12 de junho de 2014

Lembrança de um banho de chuva

Eu estava voltando para casa num dia de semana pela manhã, depois de uma aula de Vôlei. O ônibus se aproximava do meu ponto de desembarque e meu coração se apertava, pois a chuva caía cada vez mais forte e eu não levava uma sombrinha para usar no curto trajeto que eu deveria fazer a pé para chegar em casa. Curto, mas que durava cerca de 5 minutos num dia ensolarado. Mas naquela manhã a distância parecia multiplicada por 5.

Ao descer em meu ponto, eu já estava conformada com o banho de chuva iminente e inevitável. Fui dando os primeiros passos apressadamente para, ao menos, tentar diminuir o tempo de exposição àquele temporal.

Porém, alguns passos depois, comecei a sentir algo que eu não havia imaginado: o banho de chuva era tão prazeroso quanto um banho qualquer... Não, pensei, na verdade, era muito mais prazeroso!

 Pude sentir meus cabelos e minhas roupas ficando ensopadas, mas era como um chuveiro gigante no qual eu estava me lavando... lavando o medo de adoecer, de me molhar naquela água proibida, de... de quê mesmo? Eu nem me lembrava mais dos motivos para levar sempre uma sombrinha na bolsa e nunca me molhar na chuva...

Desacelerei os passos, já não havia mais motivos para tentar encurtar o tempo de caminhada. Ao contrário: aquela chuva me fez sentir tão bem que eu estava mais interessada em prolongar a duração daquele banho que eu tomava usando roupas e na rua da minha casa.

Terminado aquele banho diferente, fui direto para o chuveiro convencional depois de tirar aquela roupa que grudava no corpo e pesava com o peso da água acumulada. Senti o jato de água morna e fiquei aliviada por estar no conforto de casa.

Depois daquele dia, não precisei encarar a chuva por um bom tempo. Mas a sensação gostosa ficou arquivada em meu cérebro na área de "lembranças de pequenas aventuras deliciosas"!

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