domingo, 29 de junho de 2014

A batalha da concurseira

Era a manhã de um domingo ensolarado. Minha mãe estacionou na Íris Alagoense e me perguntou: "E aí? Está preparada para a prova?". "Só tem uma vaga, mainha" - respondi, com certo desânimo. "Não se preocupe, minha filha. O que tiver que ser seu, será na hora certa!" - disse-me enquanto se despedia de mim e me desejava uma boa prova.

Pouco mais de um mês antes eu estava consultando um dos sites de concursos e vi aquele edital. Eram seis vagas e três cargos para lotação aqui, em Maceió. Passei alguns dias examinando o edital, suas condições, as atribuições dos cargos e o conteúdo programático das provas. Para um dos cargos, o conteúdo programático era bem específico: Cartografia, Sensoriamento Remoto, Sistemas de Coordenadas, Sistemas de Informação Geográfica, entre outros. Pesquisei provas anteriores e material de estudo sobre esses temas e pensei: "Se eu estudar, me preparar, terei condições de responder a esse tipo de prova". E assim eu fiz.

Naquele momento eu já havia feito várias provas para outros concursos. Havia comprado materiais diversos, estudado e até viajado para outras cidades. Perdi a conta do número de provas que eu havia feito até então. Mas quando vi aquele edital e, depois das análises prévias, fiz a inscrição para concorrer àquele cargo e estabeleci uma meta para mim mesma: me prepararia, faria a melhor prova que eu pudesse fazer e seria, pelo menos, uma das 10 pessoas mais bem preparadas para aquela prova.

O fato de haver apenas uma vaga me deixava um pouco insegura, é verdade. Mas, ao mesmo tempo, eu pensava que, daqueles inscritos que comparecessem no dia da prova, uma pessoa seria aprovada e ocuparia aquela vaga. Talvez eu não conseguisse. Aliás, "provavelmente eu não conseguiria" - pensava. Mas a minha meta - estar entre os dez - era viável e me apeguei a isso.

Então, naquele dia, desci do carro e procurei um lugar para sentar enquanto esperava o horário de entrar na sala. Levei algumas fichas de estudo para ativar os neurônios e reforçar alguns pontos do conteúdo programático. Chegada a hora, passei pelo protocolo de entrada na sala de prova e procurei um lugar para sentar. Confesso que "gelei" ao ver aquela sala cheia - havia 49 inscritos, segundo divulgado pela Banca Examinadora dias antes.

Enquanto fazia a prova, caso alguém olhasse para mim provavelmente me veria apenas como mais uma candidata sentada e respondendo à prova. Mas eu sabia que naquele momento era mais do que isso: era uma guerreira, atenta à batalha das matérias e questões. Eu estava "na briga" pela vaga.

Mais ou menos um mês depois, desacreditei que aquele seria o dia do resultado, afinal é comum haver algum atraso na divulgação. Então consultei primeiro o fórum do qual eu participava e vi várias mensagens dos participantes dizendo: "passei!", "estou muito feliz, passei!", "parabéns aos que passaram!". Meu coração disparou e acessei imediatamente o site onde estava o resultado.

Ao abrir o PDF, procurei a página onde estava o resultado. Franzi a testa, aproximei-me da tela e demorei alguns segundos até cair a ficha... Aquele número 1, ao lado do meu nome e do meu número de inscrição... significava... sim!!! Eu havia passado! "Passei, passei, passei!!" - Levantei, pulei e saí correndo para avisar aos colegas do trabalho da época.

Em seguida, liguei para minha mãe e dei a notícia, emocionada, chorando: "Passei, mainha... consegui... a vaga é minha...". Antes de falar com meu pai, minha mãe respondeu: "Oh, minha filha, parabéns, eu sabia... e eu disse pra você: o que tem que ser nosso, é na hora certa!"

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