sábado, 14 de junho de 2014

A adorável companhia do meu silêncio

Na primeira vez em que fui ao cinema sozinha, eu havia planejado passar a tarde numa programação bem menos interessante: ficar na fila de atendimento do "JÁ" do Shopping Farol para pegar um documento e torcer para estar livre a tempo de não me atrasar para o compromisso seguinte, que seria às 19 horas numa academia próxima àquele Shopping. Mas, como o atendimento foi bem mais rápido do que eu esperava, fiquei livre muito mais cedo do que o previsto.

Assim, para ocupar as horas que faltavam para o próximo compromisso, decidi assistir ao filme que passava no cinema, pois o horário era compatível com a minha agenda. Até esse dia, e nesse dia, inclusive, eu tinha a ideia de que ir ao cinema era um programa romântico, para curtir a dois, ou pelo menos com um grupo de amigos. Comprei o ingresso, a pipoca e o refrigerante e me dirigi à sala, um tanto constrangida com a situação. Terminado o filme, o constrangimento continuou, pois pensei "puxa, se alguém me vir saindo do cinema sozinha, vai achar esquisito..."

Depois daquele dia refleti e concluí que não havia nada de embaraçoso em ir ao cinema sozinha. Fui outras vezes, em ocasiões diferentes, não mais porque estava com o tempo livre, mas porque eu queria mesmo ver o filme em cartaz, independentemente de estar acompanhada. Na verdade, eu quis mesmo ir desacompanhada!

Com o passar do tempo, aos poucos, fui me aventurando em outros ambientes como lanchonetes, restaurantes, praia e festas. Cheguei ao ponto de não sentir mais qualquer constrangimento, mesmo quando, na época,  era apenas eu de solteira no meio de um grupo de casais. Até viagem sozinha eu cheguei a fazer. Tudo na adorável companhia do meu silêncio.

Nos dias atuais, eventualmente repito esses passeios solitários e amo fazê-los. Não que a companhia do marido não seja agradável, ou não haja companhias disponíveis, ou exista qualquer outro problema, mas eu aprendi a gostar da minha própria companhia e isso é uma maneira de exercitá-la.

Para finalizar, cito as palavras sempre pertinentes de Martha Medeiros: "Estar com alguém só para não estar sozinho é solidão mal administrada".

Um comentário:

  1. Bem não sei quem disse, mas em relação a relacionamentos: É melhor estar só do que msl acompanhada. Porém quanto a sair sozinha eu não gosto mesmo. Não tem nada haver com que os outros vão pensar. É de mim mesma da minha personalidade. Adoro companhia, nunca quis morar sozinha, nem ir a praia sozinha, nem ao cinema. Talvez seja influência de ser a caçula de 5 irmãos. Adoro casa cheia e companhia. Beijinhos.

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